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Santos Casais da Ferreira

policiario2016@gmail.com

A CONVICÇÃO DO DIA SEGUINTE

A CONVICÇÃO DO DIA SEGUINTE

 

Começou a caminhada. Foi necessário limpar a neve do carreiro que mais à frente, desembocava no caminho.

 O sol começava a derreter os flocos menos espessos, e pequenos fios de água, iam-se formando ali e acolá.

 Chegou-lhe ao ouvido, trazido pelo vento, o cantar das raparigas de uma escola primária, na hora do recreio. Fascínio aerotransportado do pátio, até ao declive onde estava. Com o belo som na cabeça, as passadas fizeram-se mais leves, o colorido do amanhecer tinha mais cor e – quilómetros adiante – uma carroça apareceu num recanto fora da rota, aparelhada, como se fosse sabedora do cansaço que a jornada até aí provocara.

Oportuna oportunidade. Oferta da sorte, a não desperdiçar. Com as rédeas na mão instigou os cavalos, e em andamento uma série de paisagens foram desfilando, de novidades rompedoras, à saída de cada curva do percurso.

É então – quem diria? – uma estalagem medieval,  na beira do trajecto, acolhedora, lhe acena para parar.

Já eram horas de comer e repor energia.

Fortificar o corpo e estimular a mente, bebendo vinho, autêntico elixir da vitalidade.

Depois do breve descanso recomeçou a andar, precisamente, minutos antes do estrondo da avalanche, que soterrou um novo cruzamento que esperava alcançar desde que o avistara.

Enquanto a via não foi desobstruída, a convicção desconvicçou, no seguinte e no dia, depois do dia seguinte percorrer fulminante, o seguinte do dia e regressar ao início, também conhecido por princípio, o tal, que era verbo.