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Santos Casais da Ferreira

policiario2016@gmail.com

ACONTECIMENTO A INÚMEROS ANOS-LUZ DA VIA LÁCTEA

(Jeremias 11:18)

«tu me mostraste o que eles estavam fazendo. Eu era como um cordeiro manso levado ao matadouro; não tinha percebido que tramavam contra mim,»)

 

 

Na Galáxia Eventual, a inúmeros anos-luz da Via Láctea, eis as consequências do arrojo intrujão de um empregado ou falso empregado, (a seguir designado pela letra M) que chorando, e apelando à compaixão de outro empregado (a seguir designado pela letra B) para lhe fazer o favor, de efectuar um depósito nocturno, uma vez que recebera um telefonema avisando-o, do estado súbito e grave, da saúde da sua esposa, precisando ela da sua presença. Teria de imediato regressar a casa, situada longe do local de trabalho.

Ante a insistência e choro do infeliz, a compaixão cristã, o prazer de ajudar, levou o empregado B, primeiro indeciso, a fazer o favor ao colega, mesmo porque o dinheiro era necessário na conta da fábrica. Aos companheiros de trabalho, que partilhavam o mesmo gabinete, parecendo-lhes a conversa um tanto sem fundamento, avisaram o colega, da possibilidade de existir má-fé no pedido de favor.

Perante isto o novo ou falso empregado M, ─ dando lógica à urgência de sair da sua conversa ─ com a desculpa de ouvir uma voz, disse:

─ Já me estão a chamar.  

 E saiu deixando o empregado B receptor do pedido, com a “criança” nos braços, isto é, com o recipiente de depósito, acompanhado da chave do cofre de depósitos nocturnos, em cima da secretária.

De modo que, não pressentindo no acto falsa fé, armadilha borrada, ou vigarice premeditada, fez o depósito.

No dia seguinte, declarou-se grande zonzearia na fábrica, por causa da comunicação do banco sobre o conteúdo do recipiente do depósito.

Segundo parece, primeiro, o recipiente estava vazio, segundo, já tinha dinheiro, mas não era o dinheiro que devia ter, e de quem era o dinheiro?

Inquirido na sala do Santo Ofício, o empregado B que fizera o favor, disse que o dinheiro, resultante da venda da mercadoria da fábrica, cobrado pelo empregado M, impedido pela súbita deslocação de socorrer a esposa, de o efectuar, teria de ser da fábrica.

Inquirido sobre os montantes, disse ser necessário ver o triplicado do talão de depósito, destinado a ficar na posse do depositante, e que estaria com o empregado M, uma vez que não lho tinha dado.

O Inquisidor Mor ordenou que lhe apresentassem o empregado recém-contratado.

Consta que não se ouviu mais falar do mesmo, e não se soube ao certo como surgiu o dinheiro desaparecido, que devia lá estar, não esteve e voltou a estar, e de quem seria?

De quem seria se não da fábrica?

 

De uma acta de reunião, retirou-se este parágrafo:

 

“O embuste foi planeado até ao mais ínfimo pormenor, e espalhado no interior da fábrica, com o claro intuito de prejudicar o empregado B”.

 A intenção, na 1 º fase: “não haver dinheiro”, seria: o empregado B abrira o recipiente, retirara o conteúdo, voltara a fechar, e colocara o receptáculo vazio.

 Como isso não bateu certo porque a chave do cofre nocturno não abria o recipiente, e o empregado B, não possuía nem lhe fora dado qualquer outra chave, pelo empregado M, foi introduzida uma variante, a 2ª fase: havia dinheiro, mas de quem seria?

Quem seriam o, ou, os interessados? Que forças naufragas se deslocavam no escuro da mente enferma dos agentes actuantes? O que os moveria? A que interesses prestavam a sua actividade suja de caluniar compulsivamente? Inveja? Mas de quê?

O empregado B foi absolvido e a sua honra lavada sem sangue. Não há dúvida que os maus perigos espreitam a honestidade.

 

 

 

 

 

 

 

12 de Janeiro de 2021

01:07:24

 

 

Santos Casais da Ferreira