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Santos Casais da Ferreira

policiario2016@gmail.com

AVENTURA TERRÍVEL NO AMARELO


O pelintra, combinou com o triste, tramar o, miséria, desafiando-o a tomar boleia no estribo do elétrico que subia a ladeira, do caminho para a paragem do 13, que por sua vez seguia para a Rua Nhyt, para os anexos da universidade, onde iriam ter aulas.

O, miséria, atenuou o esforço da subida, até o guarda-freio o empurrar, e perguntar pela carteira.

O dito, não usava devido à escassez de cabedal. Trazia apenas moedas à conta, para bica, tabaco, comida, copos de tinto, e cerveja. As notas estavam eliminadas do seu pecúlio para a lide quotidiana, exceto a milena acantonada na peúga, para uma emergência.

Não reparou que o guarda-freio dava o alarme, como se lhe tivessem roubado mesmo, a carteira. A certeza óbvia, de que não era o que estava a acontecer, não a colocava como hipóteses credíveis para o, miséria.

 Entretanto os camaradas de estudo — enquanto chegava a polícia — ajudaram a armar a barraca, fugindo, a proferir algumas palavras impercetíveis, contribuindo para a festa. Enquanto a autoridade tomava conta da ocorrência, da falsa cartareistada e autêntica bronca, o pelintra e o triste, empanturravam-se de gozo com o êxito do enxovalho, e continuaram para as aulas.

O, miséria, foi ouvido, a situação esclarecida, a autoridade pôs à disposição do declarante um porta moedas, e uma carteira, para se eventualmente acertasse na lotaria, estar preparado para acondicionar o dinheirinho, e pediu-lhe os nomes dos camaradas, para serem ouvidos também. O pobre diabo apenas os conhecia pelos primeiros, mas a polícia os queria completos. Feito isto levaram-no num carro descaracterizado até à escola.

Quando os fingidos camaradas o viram entrar na sala de aula, pedindo desculpa ao professor pelo atraso, ficaram aborrecidos por não o terem detido. Corria já propagandeada entre os colegas de turma, e professor, uma versão intrujada dos acontecimentos, de acordo com as nefastas intenções, que lhes habitava o cérebro.

 No refeitório, há hora de almoço, ouvia-se na rádio noticias do pelotão de difusores da mentira apresentada como desaire. A obrigação de estar bem disposto, apesar das más circunstâncias, tomou a prioridade no estado de espírito do coitado.