Loading

Santos Casais da Ferreira

policiario2016@gmail.com

EMIGRANDO PARA AS GALÁXIAS DE FORA

Naquele dia, no antigo outrora, passado distante, o senhor de Nihil recebeu no seu castelo a carta de chamada, da parente, estabelecida na Galáxia alienígena, fora dos sistemas mais próximos.

Ordenou a divulgação do assunto nas redes sociais, enviou arautos ao feudo senil, e com o edital pregado na porta da Junta, deu o assunto por terminado.

Ala, que se faz tarde. Chamou a criada, para o ajudar a fazer as malas. O castelão vizinho, emprestou o carro de mão, para levar a bagagem até à paragem das camionetas de carreira, que passavam na província.

Chegou à base espacial, uma hora antes do vaivém intergaláctico sair. Tempo para beber uma pinga, essa instituição regional, a qual já ninguém de bom berço dispensava.

Anos luz depois chegou à Galáxia hospedeira. Comissão de boas vindas, à espera, com os dirigentes locais e banda filarmónica a tocar.

Foi informado dos altos trabalhos que o esperavam. Nobres e grandes missões. Quase se atrevia pensar: tudo do mais rico e belo.

Caindo em cogitação, todos os eventos, rapidamente encadeados, se alojaram nas respectivas divisões cerebrais, prontas a fazerem uma sesta reconfortante.

A parente, bonita, prima afastada, inteligente, recebeu-o com aquela doce ternura, temperada pela saudade, dizia, porém, amiúde, que ele se tinha esquecido do essencial. Mas o senhor de Nihil, sempre que se tentava concentrar, o necessário, para descobrir o que era, perdia-se a olhá-la nos olhos, grandes e escuros, e variava de tal maneira que o descontrolo emocional, se tornava premente, eminente, efervescente e evoluía rápido para o abraço, o beijo nos lábios, o apalpão carinhoso e coisa e tal.


Santos Casais da Ferreira