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Santos Casais da Ferreira

policiario2016@gmail.com

Na Galáxia de Refúgio

Na galáxia de refúgio, jogavam às cartas, o Duque de Tó Rá, o Conde de Tó Nico e o Marquês de Tó Xico, na explanada altaneira de onde se avistava o mar. Tó Xico tinha mais partidas ganhas, Tó Nico estava perto e Tó Rá estava incrivelmente distraído, como se o seu pensamento se encontrasse, muito longe do que estavam a fazer.

Lembrava-se de uma vez na antiguidade, a malta o grupo dos confundidos, se deslocarem num chasso de cilindrada caga-e-tosse, mas ainda com um bom carburador, até ao solar da Abigail, degustar um saboroso pitéu, num momento em que o fado educador e o vinho instruidor, estavam bem vistos, e eram aceites nas mais elevadas esferas do convívio social, tão eminente como eloquente, ou mesmo deprimente.

Tó Xico. mostrava um desenho aos amigos, perguntando-lhes qual seria o seu significado, e dizendo que nenhum deles seria capaz de o explicar, vai a aposta?

Era assim o dito: 


 

 

 

Dizia Tó Nico, que eram seguramente dois triângulos sem base, mais ou menos sobrepostos, talvez uma expressão de arte alienígena, para cujo entendimento seja exigido um grande nível de discernimento, não acessível a todos, e que também, talvez, qualquer cérebro de plebeu, conseguisse deslindar o assunto, com mais vantagem que os superiormente educados, da sua classe aristocrata.

Tó Rá que estudara no estrangeiro galáctico, e era invejado pela sua erudição, e também apregoador, de que descendia de latinos, povos da antiga civilização humana, e vagamente localizados na península, Ibérica, ‒ diziam, ‒ bem, Tó Rá era de opinião que nada disso lhe parecia plausível. Seguramente que o desenho não passava de mera expressão de enfado, nitidamente infantil.

Já os convivas não participantes do triunvirato aristocrático, abanavam a cabeça e diziam:

‒ Estão a gozar connosco.


Santos Casais da Ferreira