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Santos Casais da Ferreira

policiario2016@gmail.com

O CASO DO ISQUEIRO SEM LICENÇA

“Cada um baterá palmas contra ele e assobiará tirando-o do seu lugar”

Jó 27:23

 

Recorte de jornal recuperado entre os destroços do extinto planeta Terra, por um grupo de andróides amestrados.

 

 

O CASO DO ISQUEIRO SEM LICENÇA

 

 

Os caloiros do ciclo preparatório tiveram um feriado, e em grupos, foram passeando pelas redondezas da escola. Conversavam, trocando impressões sobre as praxes, professores, aulas, etc...

Aproximaram-se do edifico do governo civil, que chamava a atenção pela sua imponência, e arquitectura clássica. Os amigos, parceiros de estudo, pararam a apreciar a beleza da estrutura.

Na penumbra, dois moinantes– que apurou-se depois – não faziam parte dos alunos da escola, observavam à distância os movimentos dos novatos.

 Repararam oportunos, no polícia de guarda à entrada do prédio. Sabiam que era preciso licença para usar um isqueiro, a luz da sacanagem acendeu-se-lhes no cérebro. Aproximou-se o que vai ser designado por Zombador 1.

O zombador 1, colocou um cigarro na boca. A seu lado o escarnecedor 2, sobranceiro, posa de rufião western provincial.

 Miraram o grupo para seleccionar qual dos caloiros, podia mais, ser enganado.

Escolheram um, desatento, bem vestido, e, persuadiram-no com a falácia, – Dá-me lume? – a acender o isqueiro.

 O segundo escarnecedor, entretanto, aproximara-se do agente da autoridade, e faz-lhe um sinal camuflado, de que havia licença em falta, nas redondezas.

O cívico viu o rapaz com o isqueiro na mão, dirigiu-se para ele, provocando a debandada dos seus amigos e dos gozadores, na direcção da Torre das Cabaças.

 Tomada que foi conta da ocorrência, apurou-se que o miúdo desconhecia-se no registo civil, e as inquirições posteriores, concluíram, que era descendente genuíno de uma tribo, em tempos longínquos, invasora da Península a partir do Mediterrâneo.

 Não fumava, o isqueiro não era dele, desconhecia por absoluto a necessidade de licença, para o utilizar.

 Foi condenado. Colocado no Pelourinho, e proibido no futuro, de se aproximar de locais onde haja fogo, exceptuando a lareira, para que não se verifique em si, algum caso de hipotermia.

 

Santos Casais da Ferreira