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Santos Casais da Ferreira

policiario2016@gmail.com

Pergaminho encontrado no fundo do chabouco seco pela canícula

«Os espancadores de mortos festejavam uma vitória sobre o cadáver principal. Na mesa hexagonal, ensaiavam a melhor performance zombadora, a levar ao concurso internacional de escarnecedores e similares. Lia-se em voz alta o manual de instruções da paródia, e trocavam ideias originais sobre a melhor maneira de enganar e lixar o parceiro.

O grupo rival, os malhadores no ceguinho, inserira um espião entre os festeiros. Um palrador por excelência, um erudito da má língua, paladino de verve invulgar. O detentor de tais predicados, apresentara-se como fogaça, simpatizante anónima da causa.

Defendia, a reanimação e regresso à vida do defunto, para que encontrassem alguma resistência, talvez mesmo réplica, no espancamento a seguir agendado. 

Receberam no smart e projetaram na tela gigante, a saudação do grupo:  cortadores de pernas, fazedores de cama e tomadores de ponta.

Verificavam com agrado o justo reconhecimento do mérito e eficácia das suas sessões de sarrafada psicológica.

Aguardavam, entretanto, a chegada dos que perseguiam os perseguidores, e os que vigiavam os vigilantes.

Foi então, que os representantes da mentira organizada, que não foram convidados e se encontravam escondidos no armário, pretenderam impugnar o evento, e boicotar as celebrações.

 Gerado um ambiente nefasto, decidiram para preservar as suas opacidades ofensivas, e de insulto, assistir, na trégua consentida, à atuação dos rebentadores de bombas de carnaval, que entravam em palco, nesse preciso momento.»

 

 

(“39 Eu, porém, vos digo que não resistais ao mal; mas, se qualquer te bater na face direita, oferece-lhe também a outra; Mateus, 5”)

 

 

 

 

 

Santos Casais da Ferreira