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Santos Casais da Ferreira

policiario2016@gmail.com

Salteadores Occipitais

Salteadores Occipitais


Os falsários, chegaram à metrópole, montados em imbecilidade de alto quilate, e construíram as melhores vivendas, do bairro da Bela Vista, bairro centenário, que tão insignes cidadãos tem trazido ao mundo civilizado.

No outro lado da superfície terrestre, a quadrilha dos Salteadores Occipitais, abria no seu confortável esconderijo, os e-mails recebidos nas últimas 24 hora. De entre os muito recebidos, um chamava a atenção, para os potentes candidatos a espiões universais, com uma descrição difícil de qualificar, dado o carácter incrível, da substância rara de que eram constituídos aliada ao estabelecimento recente no bairro.

No lado do outro, oposto ao no outro lado, a situação económica geral da região era um perigo, e necessitava de guarda, por parte do estado, e este por parte do povo. Essa situação de crise, de que se acaba de falar, transformava o território num campo favorável, para a atuação de uma qualquer quadrilha estrangeira, e seus representantes e elementos ativos no terreno, que preenchesse os requisitos necessários e fundamentais, para uma proveitosa atividade.

Os Salteadores Occipitais há muito que espreitavam a ocasião de realizar ali uma boa colheita, um saque primordial, e viam no recrutamento desses valdevinos de má cepa, — e no caso de, de o negócio sujo, que deles se pretende, se conseguir obter êxito, e se desses resultados positivos se abrirem clareiras, por onde furtar à vontade — uma ótima chance de angariar ali um basto sustento material, incorpóreo para a sua posteridade.

No campo adjacente, à metrópole atrás mencionada, um pastor trazia o seu rebanho de ovelhas, no sector oeste do monte e o de cabras, pelo meio, a aparar todo o tipo de verdura e não verdura, que encontrassem à frente. No dia seguinte iria à cidade, abastecer-se, e comprar ração para dar ao gado. Criava dois bezerros. e um casal de bácoros para reprodução suína, e posterior venda de leitão.

Tinha prestígio entre a população agrária, estabelecida nos arrabaldes da cidade, e naquele tempo, contribuiu para a alfabetização popular, dando aulas noturnas no palheiro, reedificado para o efeito.

Recebeu no telemóvel, uma chamada do Superintendente seu amigo , que ia entrar ao serviço, e que lhe dizia da preocupação, ao avistar na cidade, à porta da esquadra um ajuntamento popular.

Ao aproximar-se admirou-se do ar irado das pessoas ali reunidas.

Direcionou-lhes um gesto largo de calma, e perguntou ao agente de plantão, o que se passava, e este lhe franziu o sobrolho como resposta.

Instalou-se no seu gabinete, e disse ao sargento-ajudante, para mandar entrar os manifestantes em grupos de três indivíduos, para serem ouvidos.

Entrou o primeiro grupo, indignados.

— De que vos queixais?

Falou um deles em nome de todos:

— Senhor Superintendente, fomos vítimas de uma fraude, organizada pelo clube artístico pictográfico da cidade. Uma exposição inaugurada à bocado e com um cartaz que anunciava:


GRANDIOSA EXPOSIÇÃO

DE

DESENHO PICTOGRÁFICO

LUNÁTICO


— E os desenhos expostos nada tinham de grandioso, pelo contrário, eram do mais reles até aí apresentados, e para os quais se pagara de entrada a exorbitante quantia de 12344321 de mil réis. Valor que a organização se recusava a devolver.

— Se foram enganados com a qualidade do produto, a organização tem de devolver-lhes o valor das entradas.

— Temos fotografias no telemóvel, mire senhor:






— Que desfaçatez. Mau gosto em toda a linha. Quem se atreveu a expor uma coisa destas e ainda por cima cobrar bilhetes?

— É senhor Superintendente, quem precisamos encontrar, para nos compensar do prejuízo. Mas há mais observe:




— Sem dúvida foram bem burlados.

— E aqui, olhe:




— E mais aqui:




— Calamidade. Será que esse dissimulado “artista” os tomou por otários?

— Sabemos lá bem, senhor Superintendente. Será capaz de “digerir” mais umas agressões visuais, atentados às belas artes?

— Bem depois disto, estou capaz de tudo. Vou emitir o mandado de detenção de tal banha da cobra, e ordenar que sejais recompensados, de todos os prejuízos que vos foram causados. Para ver as restantes peças de “arte”, se forem iguais ou piores do que já visto, será preciso beber uns copos de uma pinga de estalo, que guardo para ocasiões como esta, ou semelhantes, pinga com fama e proveito de cortar a veia do medo, dar vista a cegos e andar a coxos. Certamente nos fará ganhar coragem e peito de aço, para ver mais uns desenhos. Pegai por favor os copos desse móvel atrás de vós, e servi-vos e servi-me, por favor.

E assim foi. Eis aqui os restantes infames graffiti e tudo o que mais achardes:





O superintendente levou as mãos à cabeça desesperado, e à porta da esquadra uma pequena grande turba, ansiava por justiça.

A brisa que se levantara soprava mansa, adormecente, a malta decidiu jogar à bisca de três, enquanto esperavam a resposta através dos signatários, por eles designados em sua representação, ignorando que entretanto, os mesmos adormeciam a sono solto, na companhia do Superintendente, gozando da superior performance dionisíaca do vinho de reserva, partilhado sem cerimónia, provocando uma assanhada indignação dos desenhos, que foram abandonando, um por um, a sua tela, e se colocaram à boleia em grupos de 2, e à distância de 50 passos entre cada grupo, de modo que em curto espaço de tempo, estavam todos noutras paragens, longínquas, soberbas, estranhas e secretas.


Santos Casais da Ferreira