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Santos Casais da Ferreira

policiario2016@gmail.com

UM DIA NA PRAIA


 

Terminado o filme de cowboys, avivaram-se-lhe algumas memórias estacionadas nas enxovias do subconsciente, e que têm inadvertidamente o seu quê de nostalgia.

(O pele-vermelha era mau, o cara pálida bom. Índio é alcunha, uma vez que os descobridores julgaram por engano terem chegado à Índia, e baptizaram os naturais com um nome incorrecto. Aos habitantes da Índia, se lhes chamava hindus), – e tudo isso adveio da época do liceu.

Saiu do cinema depois de ver os cartazes dos próximos filmes, e procurou o “snack” de um amigo – companheiro de estudos liceais – para jantar, e deitar-se cedo, tendo em vista a ida à praia planeada para o dia seguinte.

 A estação de caminho-de-ferro não era perto.

O implacável despertador do telemóvel acordou-o à força, como se tivesse viagem marcada para o cadafalso. Um duche frio despertou-o e activou-lhe a circulação. Vestiu-se, arrumou a tralha “balnear” na mochila e encaminhou-se para a estação.

Adquiriu bilhete e entrou no café. Acendeu um cigarro enquanto tomava a bica, em silêncio. Os meteorologistas tinham previsto um dia de sol. Estavam a chegar pessoas, com ar expectante e irrequieto.

O barulho dos travões da locomotiva, despertou-o das suas meditações.

 

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– Vamos ao banho?

Quem assim lhe perguntava era uma moça bonita de cabelo ruivo, olhos grandes, azuis, de onde não era fácil retirar o olhar.

– Mas é a Maria! – exclamou. A alegre amiga e companheira de trabalho da fábrica. Sensual, instintiva, de perturbante exuberância feminina.

– Quem se quer bem... – disse, sorrindo.

–... (Sempre se encontra) – completou mentalmente.

Trocaram olhares ternos e cúmplices, dos felizes “carnavais” da adolescência.

Percorreram a areia que os separava da água. O contacto caloroso do brando aperto, e a transmissão espontânea de energia, animou-os.

Maria viera de carro. Trabalhava na secção administrativa e informática. A área do engenheiro era na manutenção.

 Era raro se encontrarem durante o horário laboral. Só na pausa para o almoço se deparavam por vezes na sala de fumo, onde trocavam impressões sobre os seus tempos de liceu.

Nos primeiros mergulhos a água gelada arrepelou-lhes a coluna vertebral. Porém minutos depois de começarem jovialmente a brincar, a molharem-se com chapadas de água, os corpos acomodaram-se ao contacto do mar.

Nadaram um pouco. Maria mergulhou sob pernas abertas do amigo, e roçou-se ao de leve por onde conseguiu chegar.

Esse breve toque aquático despoletou uma corrente de electricidade.

 Procuraram local onde tivessem pé.

 De frente, um para o outro, com água pelo peito, Maria moveu delicadamente a sua mão por dentro do calção do companheiro, começando uma massagem caldeada de meiguice, ritmo demorado, até chegar à plenitude do derrame impossível de suster.

Saíram para as toalhas.

Deitaram-se a bronzear, respirando a brisa que sopra com iodo. Espalhou-lhe brandamente creme pelas costas sentindo a sua pele sedosa, e como Maria fazia topless, acariciou-lhe os seios salientes, rolando os mamilos entre o polegar e o indicador suavemente.

 Beijou-a na boca, lábio com lábio, língua com língua e o trasbordamento de desejo invadiu-os.

 Aperceberem-se, que estavam sozinhos naquele canto da praia, os outros banhistas, estavam concentrados mais a norte. onde a rebentação desenhava um quarto crescente pela orla do areal.

Maria sentou-se sobre o amigo, destapando a parte baixa, e iniciou o movimento de introdução balanceado, ingerindo a cabeça da "piça" intumescida, até a devorar totalmente.

 Conheceram-se mutuamente até ao êxtase comum. Repousaram depois tranquilos, abraçados.

A meio da tarde acordaram, foram ao duche.

 Iriam surfar no fim-de-semana a seguir. De mãos dadas caminharam encostados experimentando a felicidade proporcionada pelo quotidiano inesperado.




Santos Casais da Ferreira