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Santos Casais da Ferreira

policiario2016@gmail.com

VISITA GUIADA AO CAMPO DE DESCONCENTRAÇÃO


 

Naquele dia do passado, também outrora, no antigamente, o robô A, da classe A, e série A, do catálogo: — tudo A, leu no jornal de parede do subterrâneo onde se refugiara, a notícia, de uma visita guiada, ao complexo labiríntico de que a “sua” caverna fazia parte. Eram os visitantes ilustres figuras do mundo, acima da horizontalidade que o periscópio de serviço alcançava, e que estavam ávidos de enriquecerem os seus saberes gerais, e nalguns acontecimentos também particulares.

Reza também o edital, que a cosmologia da região subterrânea, descendente do mar mediterrânico, dieta mediterrânica, e outras lendas sobreviventes ao apagamento da civilização humana, que se procurava um voluntário, um guiador, que apresentasse condignamente o albergue, a zona libertada, do jugo dos curros individuais sem balde higiénico nem espaço para esticar as pernas.

Dai que o robô A, perante a concorrência dos andróides B, foi o primeiro candidato a chegar ao centro de recrutamento.

Os recrutadores estavam enervados com a falta de condições, e habituados a outros limiares de actividade, solicitaram um cachimbo, retemperador, dissuasor, antes de lavrarem as inscrições com os célebres escopros — recuperadas do espólio da antiga civilização humana — e conhecidos por Grunklaranja para cinzelagem normal.

Dando, esse acontecimento por encerrado, conheceu o robô A, lady robôa L da classe inda.

E eles conheceram o amor. E iniciaram a libertação. E era tudo o que precisavam.

 

(«O amor é paciente, o amor é bondoso. Não inveja, não se vangloria, não se orgulha. Não maltrata, não procura seus interesses, não se ira facilmente, não guarda rancor. O amor não se alegra com a injustiça, mas se alegra com a verdade. Tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta.»

1 Coríntios 13:4-7)


Santos Casais da Ferreira